Passo para o futuro

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Empresários do ramo de cerâmica do Noroeste mineiro se organizam e modernizam a cadeia produtiva, vislumbrando resultados promissores

passo para o futuro“Quando a gente fica somente em nossa casa, não vê o que tem de novo lá fora e nem os problemas de dentro. Por isso, é importante sair.” Com essa analogia, Sebastião da Cunha Coutinho, proprietário da Cerâmica Araguaia, explica a importância do projeto Cerâmica Vermelha, iniciativa do Sebrae Minas que tem contribuído para modernizar oito empresas do ramo das cidades de João Pinheiro e Brasilândia de Minas, no Noroeste do Estado. Com consultorias, visitas técnicas e missões a grandes eventos do setor, a iniciativa visa incentivar a melhoria nos processos dessa atividade que, há décadas, vem sendo passada por gerações na região.

Há 11 anos em Brasilândia, a empresa de Sebastião Coutinho já experimentou diversas mudanças, mas nenhuma parecida com as que foram implementadas no último ano, período em que o projeto Cerâmica Vermelha foi desenvolvido. A maior parte delas se refere aos processos de fabricação, que, ao serem implantados, alavancaram a produção de 150 mil para 200 mil peças ao mês, entre tijolos furados, lajotas e canaletas. Uma das inovações, aparentemente simples, gerou uma economia acima de 50%, além de maior eficiência. “Aqui, a gente sempre seguiu as tradições que vêm do pessoal mais antigo. O barracão de secagem dos tijolos que usávamos, por exemplo, era feito com cobertura baixa, pois se acreditava que era necessário conservar o calor da cerâmica para ela secar. Agora, sei que, quanto mais ventilado for o espaço, melhor”, conta o empresário. “Além disso, substituímos as telhas dos barracões por lonas, o que tornou o processo mais barato”, acrescenta. O modelo do espaço antigo custava, em média, R$ 30 mil, enquanto o novo sai por R$ 12 mil.

A percepção de que precisava inovar surgiu quando ele recebeu as duas visitas de técnicos do Centro de Produção Industrial Sustentável (Cepis), órgão parceiro do Sebrae Minas no projeto. Em sua passagem pelas empresas, os profissionais o orientaram quanto às etapas do processo de fabricação da cerâmica, como a queima, que é uma das mais importantes do ciclo. “Eles nos explicaram quais devem ser as condições corretas da lenha que usamos para alimentar os fornos. É um fator que influencia diretamente a qualidade do produto e a eficiência da fábrica”, exemplifica Sebastião Coutinho.

Agora, ele planeja investir na automatização da fábrica, com a compra de um maquinário que descobriu, ano passado, no Encontro Nacional da Indústria de Cerâmica Vermelha, em Recife (PE). Também está em seu planejamento a construção de um forno-vagão, que irá substituir o convencional. Como o próprio nome diz, o forno-vagão conta com um trilho para passagem de um carrinho que retira as peças da queima e transporta direto para o caminhão. Pelo processo antigo, os tijolos eram retirados por funcionários, que deviam entrar no espaço, fazer o carregamento do carrinho e empurrá-lo para fora, de forma manual.

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