O passo a passo da estratégia

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Luis Augusto Lobão Mendes*

Para se perenizarem, as empresas devem se diferenciar, ter uma vantagem exclusiva. Gerenciar a diferenciação é a essência da estratégia de negócios. O problema é que a maioria delas não busca a singularidade, e sim a remoção de pontos fracos, como as melhorias dos sistemas de informação. Isso é importante, sim. Mas o ponto é ter uma vantagem real sobre os concorrentes.

O Planejamento Estratégico ordena as ideias das pessoas de forma a criar uma visão do caminho a ser seguido (objetivos, estratégias e resultados). Ele não deve ser confundido com previsão, projeção ou predição. O planejamento serve para buscar um futuro diferente do passado, entretanto a empresa precisa ter condições de agir sobre as variáveis de
modo a exercer alguma influência. Planejar é, ainda, um processo contínuo e dinâmico, que pressupõe um processo decisório antes, durante e depois de sua elaboração e implementação.

A estratégia elege áreas de negócio e fixa os recursos de modo a desenvolver a empresa. Há numerosos modelos, métodos e conceitos, os quais podem ser estruturados numa metodologia simples e coerente. Eles compreendem três etapas:

DEFINIÇÕES EMPRESARIAIS BÁSICAS

Elas formam a ideologia, que, por sua vez, caracteriza os atributos de cada organização e molda a atitude das pessoas. A estrutura e as políticas das organizações podem mudar constantemente.

A ideologia, não. Ela nasce com a empresa, é o seu alicerce e dá sentido às ações dos seus membros. Pode (e deve) ser reformulada sempre que os cenários se modificarem. Ou seja, ela orienta a empresa durante toda a sua existência e tem a sua formulação dividida em quatro fases:

? NEGÓCIO: ele é definido pelos desejos ou necessidades, satisfeitos pela empresa, quando o consumidor compra seus produtos ou serviços.

? MISSÃO: ela define a razão de ser da empresa, delimita seu espaço de atuação e justifica sua existência.

? VALORES: conjunto de princípios que influencia decisões, comportamentos, políticas e ações da empresa.

? VISÃO: é o aonde a empresa quer chegar.

DIRECIONADORES DA ESTRATÉGIA

O ponto de partida é ter um objetivo correto. Traduzindo: um excelente retorno sobre o investimento a longo prazo. Muitas empresas não conseguem entender isso. Elas concentram-se no curto prazo e, com isso, não enxergam além do amanhã.

O desempenho é motivado pela rentabilidade do negócio em si e daquela resultante da posição ocupada pela empresa. É muito importante não confundir esses dois conceitos. A lógica para entender setor e posição da empresa é diferente. Se os dois aspectos forem misturados no momento em que a análise estratégica for feita, a escolha, sem dúvida, será errada.

Esta etapa também tem quatro fases. São elas:

Análise da Estratégia Vigente: é bom conhecêla e também os objetivos até então perseguidos para não haver uma descontinuidade e não se mudar radicalmente de direção (exceto em casos especiais), o que implicará riscos ou prejuízos.

Análise do Ambiente Externo: o objetivo é construir uma visão integrada da evolução dos ambientes externos, tendo como foco uma análise atual e outra futura. Mudanças de hábitos de consumo e tendências sociais e tecnológicas devem ser consideradas.

Análise do Ambiente Interno: verificação dos pontos fortes e fracos com foco nos valores de clientes e mercados. A estrutura organizacional merece atenção especial, pois só as organizações que a têm bem-definida alcançam seus objetivos.

Carteiras Estratégicas: os diversos negócios da empresa operam em mercados diferentes. Portanto, cada negócio deve formular seus objetivos e estratégias apropriadas, que se apoiem mutuamente para aproveitar o equilíbrio e as sinergias.

DESDOBRAMENTO DAS ESTRATÉGIAS (GERENCIAMENTO ESTRATÉGICO)

A estratégia norteia os planos de ação a serem seguidos. O conceito básico está relacionado à ligação da empresa em seu ambiente. E, nessa situação, ela procura definir e operar estratégias que maximizem os resultados da interação estabelecidos. Este conceito implica utilizar corretamente todos os recursos da empresa. Os objetivos são detalhados em planos de ação e orçamentos. Os planos e metas devem resultar em contratos de resultado com as equipes e num sistema eficaz de acompanhamento. Combinados, eles permitem o acompanhamento sistemático, mensal, das ações e resultados.

*Professor de Estratégia e Desenvolvimento Organizacional da Fundação Dom Cabral (FDC)

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Fonte: Revista Passo a Passo Ano 18 Edição 138 pp. 40-41

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