Mercado Pet em 8 perguntas

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Donos do carinho de milhares de brasileiros, os animais de estimação representam um dos maiores mercados brasileiros. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação – Abinpet  o mercado brasileiro de Pet já é o segundo maior do mundo, em população total de aves canoras e ornamentais, além de cães e gatos. Isso significa dizer que o Brasil detém o terceiro maior faturamento do mercado no mundo. Com tanto potencial, é preciso entender as características deste segmento do mercado para se destacar nos negócios voltados para pets. Por isso, entrevistamos a analista técnica Simone Lopes. Ela nos conta um pouco sobre o setor. E também dá dicas para quem já atua no segmento ou quer empreender nele.

  1. Nosso tema é “mercado pet”. Se alguém pedisse para você explicar este segmento, o que você diria?

Há milhares de anos, os seres humanos começaram a domesticar animais e torna-los seus companheiros. Atualmente, mais que companheiros, os animais de estimação ganharam status de membros das famílias, o que vem revolucionando as relações de consumo no mercado pet e consequentemente trazendo muitas oportunidades para os pequenos negócios.

Considerando a dinâmica de mercado, podemos dividi-lo nos seguintes segmentos: Pet Food (alimentação para animais de estimação), Pet Care (cuidados para o animal), Pet Vet (serviços veterinários) e Pet Serv (outros tipos de serviços). Assim, indústrias, varejo e setor de serviços atuam diretamente fornecendo produtos e soluções para clientes cada vez mais exigentes.

  1. Como o mercado pet está funcionando no Brasil? Você pode nos falar um pouco dos dados do segmento?

O Brasil conta com a segunda maior população de animais de estimação do mundo. Segundo o IBGE, são 132,4 milhões de animais. Destes, 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos. Além dos demais animais de estimação como roedores, aves e peixes ornamentais. Um mercado muito rentável, sendo o terceiro maior do mundo em faturamento. Segundo a Abinpet,  em 2017 o segmento faturou cerca de 20,3 bilhões de reais.

O perfil dos consumidores passou por importantes transformações nos últimos anos. Animais de estimação passaram do quintal das residências para as camas e sofás de seus donos. E com isso a forma de cuidar deles também mudou consideravelmente. Os donos passaram de um tratamento curativo de seus animais, para um tratamento preventivo. O que aumentou a demanda por vacinas, alimentos Premium e Super Premium e serviços especializados.

Essa mudança no perfil dos consumidores abriu um mundo de oportunidades para empreendedores do segmento. O que fez com que um mercado antes pouco profissionalizado, se torne cada vez mais especializado.

  1. Porque o mercado de pet tem ganhado tanto destaque? Como você vê esse crescimento?

Para mim, o que mais explica o crescimento deste mercado é a mudança do comportamento do consumidor. São milhares de animais de estimação com donos cada vez mais preocupados com o bem-estar de seus pets. Essa mudança no perfil dos consumidores teve forte influência no segmento. Isto porque os cuidados com os animais passaram a ser preventivos. O que significou um aumento da utilização de vacinas, terapias e remédios para prevenir doenças e não mais curativos, como se via anteriormente.

Isso impulsionou modelos de negócios para atender às novas necessidades dos clientes por produtos e serviços cada vez mais exclusivos, de qualidade e diferenciados. Entre 2016 e 2017 o mercado pet teve um crescimento de 7,9%, se comparado ao ano anterior. Esse crescimento se deu principalmente nos negócios relacionados ao segmento pet food. Ele é responsável po 63% de todo o faturamento do mercado pet, seguido pelo segmento de pet serv com 15,8% deste faturamento. O que demonstra a preocupação dos donos com o bem-estar de seus animais.

  1. Como o crescimento do mercado pet tem transformado a economia mineira? Quais são as oportunidades que surgem para os micro e pequeno negócios?

Segundo dados da Rais (2016), Minas Gerais possui aproximadamente 7500 empresas ligadas à cadeia pet entre atacadistas, clinicas veterinárias, e pet shops, que são em sua maioria micro e pequenas empresas. Se consideramos somente os pet shops são cerca de 4.600. Comparativamente, temos mais empresas do segmento pet que padarias, por exemplo, o que demonstra a importância deste mercado.

E são muitas as oportunidades para quem deseja empreender neste segmento. Desde modelos tradicionais de pet shops, com banho e tosa; passando hotéis e daycare, com serviços de creches e hospedagem para cães, clínicas especializadas em saúde e bem-estar dos animais de estimação com serviços diferenciados como fisioterapias, acupuntura e relaxamento, clubes de assinatura de produtos pet. Enfim, uma infinidade de possibilidades para investimentos no segmento, que tem se mostrado cada vez mais rentável.

  1. Do ponto de vista da gestão de negócios, no dia a dia, como você percebe que os empreendedores e empresários desta área estão se organizado?

O mercado pet está se modernizando, a exemplo de outros segmentos do varejo, que possuem técnicas de vendas e gestão bem definidas. Neste sentido, as empresas do mercado pet cada vez mais se preocupam com itens com o layout de suas lojas. Isto favorece a setorização de produtos como estratégia para aumentar vendas. A partir do investimento em instalações que proporcionem segurança e conformo aos animais, para aumentar a  confiança de seus donos. Seja durante a compra de produto ou durante a prestação de serviços de banho e tosa. O que passa também pela busca constante por produtos inovadores, artigos de luxo voltados para os animais e serviços diferenciados, como acupuntura, terapias comportamentais e serviços de hospedagem. Sempre considerando a experiência de compra e o fortalecimento do relacionamento com seus clientes.

Vale destacar também que a presença digital das empresas nesse segmento está cada vez mais forte e consolidada. Assim como em todos os segmentos de varejo, o conceito de Onminichanel vem ganhando forças no mercado de produtos para animais. Ele é uma tendência que se baseia na convergência de todos os canais utilizados por uma empresa integrando lojas físicas, virtuais e compradores. As empresas que conseguem conciliar a presença física com a digital têm cada vez mais força neste mercado de atuação.

  1. Qualquer coisa que uma empresa faça não é exclusivo por muito tempo. Com o crescimento do número de negócios voltados para pets, o mercado se torna mais competitivo. Nesse contexto, como as empresas do segmento têm conseguido se inovar?

Não diferente de outros segmentos do varejo, o mercado pet está cada vez mais exigente, buscando por atendimento de qualidade, produtos inovadores e principalmente experiência atrelada à compra de produtos e serviços. Para inovar neste mercado, é imprescindível oferecer aos clientes uma experiência de compra memorável. Para isso, as empresas devem ter estrutura adequada de loja, oferecer serviços inovadores somados às vendas de produtos e principalmente investir em construir relacionamentos com esses clientes.

Assim, a experiência de compra precisa ser um reflexo da cultura e dos processos da empresa e entregar essa experiência aos clientes passa principalmente pela capacitação da equipe que deixa de ser uma simples equipe de vendas para se transformar em uma equipe de especialistas em produtos e gente.

Dada a grande concorrência do mercado pet, além de inovar é importante que as empresas tenham total controle de seus processos de gestão, monitorando a eficiência do negócio.

  1. De que forma a tecnologia é utilizada nos negócios do segmento pet? Quais benefícios e dificuldades esse uso traz para o mercado?

O mercado pet está cada vez mais moderno. Considerando a definição de estratégias de negócio e gestão, existem hoje uma infinidade de informações sobre comportamento do consumidor. Elas podem ser obtidas por meio de análises de big data, baseadas por exemplo no comportamento desses consumidores nas redes sociais. Essas informações podem ajudar empreendedores na elaboração dos planos de negócio. E também no desenvolvimento de propagandas direcionadas especificamente ao seu público alvo, considerando por exemplo o perfil de seus clientes e sua localização.

Se para o empreendedor, as tecnologias e soluções para potencializar o atendimento aos clientes são diversas. As soluções tecnológicas demandadas pelos clientes também estão cada vez mais em alta. Atualmente, já existem vários gadjets disponíveis no mercado que proporcionam o monitoramento e interação entre animais e seus donos. Ou até mesmo entretêm os animais, enquanto seus donos estão ausentes.

As opções variam muito. Existem desde máquinas que jogam bolinhas para os pets apanharem; passando por canais de TV completamente especializados em programações para cães e gatos; até coleiras que são capazes de mostrar onde o pet está. Tudo acessível a partir de um aplicativo no celular. Disponibilizar essas tecnologias aos clientes certamente é um caminho para aumentar vendas, se diferenciar e potencializar a performance dos negócios no mercado pet.

  1. O estoque pode ser um fator de sucesso das empresas atualmente. De que forma os negócios pet devem pensar o estoque para favorecer as vendas?

Evitar que o cliente não encontre um produto que procura é o grande desafio do controle de estoques no pet shop. A empresa perde credibilidade, principalmente se o produto for um item comprado com frequência.

Na maioria das vezes, produtos pet têm prazo de validade determinado. Por isso é muito importante estar atento à demanda para manter um estoque equilibrado que possibilite atender com qualidade e no menor tempo a seus clientes. Sem, no entanto, manter um estoque grande que pode aumentar o risco de perda por validade. Outro inconveniente de um grande estoque desnecessário, está na imobilização do capital, que poderia ser investido em outras áreas da empresa.

Para otimizar o cálculo do estoque, uma sugestão é avaliar o fluxo de vendas dos últimos 12 meses. E junto disso combinar essas informações com dados de limite médio de validade dos principais produtos em estoque. Com base nessas informações será possível definir a quantidade média de estoques. E também monitorar o momento certo de realizar promoções para acelerar as vendas de produtos estocados há muito tempo. O que melhora o fluxo de caixa da empresa e evitando perdas de produtos por vencimento da validade.

  1. Em negócios do tipo comércio ou serviço, é comum os gestores criarem formas de as empresas funcionarem sem que eles estejam presentes. Isso é possível nos negócios do segmento pet?

Em qualquer segmento de negócios, a gestão eficiente é fator preponderante para o sucesso do investimento. No segmento pet não é diferente. O empresário precisa ter total domínio do que acontece com seu negócio. Saber como as decisões são tomadas, quais são as estratégias de vendas, quais os produtos demandados pelo mercado e o que precisa ser aprimorado para melhorar a performance do negócio, é essencial.

Para que seja possível acompanhar todas essas questões sem ter uma dedicação exclusiva ao negócio, a empresa precisa ter todos os seus processos de operação e gestão mapeados. Isto facilita a análise e o monitoramento do empresário sobre os resultados e principalmente pontos de melhoria necessários. Uma equipe bem capacitada que dê suporte à tomada de decisão do empresário certamente facilitará esse processo. Fica a cargo do dono estar atento às novidades e movimentos do mercado. Isto no intuito de sempre atualizar a equipe e propor soluções de melhoria contínua. Isto para que a empresa acompanhe essa evolução. Fato é que, um acompanhamento próximo do dono em um pequeno negócio sempre será um diferencial. Isto vale tanto para a gestão quanto para a operação da empresa.