Case de Sustentabilidade: Mini Erva Produção e Comércio de Adubos Ltda

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Incomodada com descarte inadequado de cocos verde nas imediações de parque, onde caminhava diariamente, empresária deixa ramo de estética e monta negócio de reciclagem  

Sobre a empresa

Ramo de atuação: Adubos, viveiros e paisagismo
Tempo de mercado: 2 anos
Tamanho: 860 m²
Localização: Aparecida de Goiânia, GO
Colaboradores: 6 colaboradores diretos e 15 indiretos
Como o Sebrae ajudou essa empresa: Consultoria, plano de negócios, apoio à inovação

Imagem de Adubos“Não posso desistir de limpar a minha cidade, não teria mudado de ramo se não fosse para alcançar esse objetivo”.

Todos os dias, a empresária Eliane de Oliveira Faria caminhava em um dos parque de Goiânia. E todos os dias, ao tomar água de coco, depois do exercício, ela se incomodava com a quantidade de cascas, que os 16 quiosques do parque jogavam no lixo. Um dia, Eliane resolveu dar um jeito nessa situação e acabou, sem querer, criando uma empresa inovadora, que produz matéria-prima para a adubação de tomateiros industriais, viveiros e paisagismo, a partir do descarte da casca de coco verde.

Empresária do ramo de estética, há anos, como proprietária de três salões de beleza, Eliane procurou a Universidade Federal de Goiás (UFG) para saber que tipo de aproveitamento as cascas de coco poderiam ter. “Na minha visão, aquilo não era lixo”, conta. Depois de muita conversa, acabou apoiando um projeto de pesquisa para desenvolver a tecnologia de aproveitamento do coco verde na produção de fibra e substrato vegetal. A inovação estava no uso do coco verde, ao invés do coco seco, na formulação desses produtos.

A ideia inicial era desenvolver a tecnologia e oferecer para outras empresas, mas Eliane foi incentivada pela UFG e pelo Sebrae a abrir ela mesma uma empresa, podendo, inclusive, concorrer a um edital de apoio à inovação da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep). Foi o que ela fez. Abriu a empresa e direcionou a tecnologia para a produção de substratos para a produção de mudas de tomate industrial, visando o mercado de Goiás, maior produtor nacional de tomates. “Meus amigos e minha família acharam que eu tinha enlouquecido, pois estava bem com minhas estéticas”, comenta.

Orientada pela consultoria do Sebrae a procurar apoio do recém-criado parque industrial de Aparecida de Goiânia, Eliane conseguiu incentivos para montar sua empresa lá. Somando investimento próprio para os equipamentos e galpão, com o apoio da Finep, para manutenção da empresa, assim foi criada a Mini Erva.

Ao mesmo tempo em que criava uma nova empresa e desenvolvia sua tecnologia, surgiram boas oportunidades para Eliane desistir do ramo de estética. Uma a uma, ela foi vendendo os salões, até que se viu migrando totalmente para um segmento novo de negócios.“Isso foi acontecendo naturalmente, não foi planejado, mas o Sebrae esteve comigo todo o tempo”.

Matéria-prima complicada

Quando descobriu, que poderia usar o coco verde como matéria-prima para uma variada linha de produtos,  a empresária achou que seu sonho, de ver as cascas de coco num fim mais nobre, seria alcançado. Mas a realidade não era tão simples. Ela não conseguiu estabelecer um sistema eficiente de coleta dos resíduos nos quiosques de Goiânia, sem a participação da prefeitura.

A dificuldade soou o alarme no plano de negócios e fez com que ela procurasse fornecedores fora do Estado. Atualmente, a Mini Erva opera com casca vinda de Vitória (ES), onde o consumo de coco verde nas praias é alto. Mas a solução não deu sossego à Eliane. “Não posso desistir de limpar a minha cidade, não teria mudado de ramo, se não fosse pra seguir esse objetivo” afirma.

Atualmente, ela lidera a criação de uma associação junto a outros empresários, que usam o coco como insumo. O objetivo da futura entidade é o credenciamento dos associados junto à prefeitura para receber o resíduo, por meio da coleta seletiva e, em troca,eles apoiarão famílias de baixa renda na produção de hortas domésticas orgânicas. Uma ação que vai envolver os viveiros da Companhia de Urbanização de Goiânia; empresas de sementes, mudas e viveiros; a Embrapa; e estudantes de agronomia da UFG. Eliane ganhou a etapa de Goiás do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, este ano. Ela ainda não conseguiu dar destino a todas as cascas de coco da sua cidade, mas está cada dia mais próxima de concretizar essa meta.

Fonte: Vanessa Brito

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