Arestas operacionais e estabelecimento de metas: uma relação direta

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Pois é, final de ano chegou e todos os anos pensamos a mesma coisa: “Como passou rápido”! Na verdade, nossa percepção de tempo é, quase que “literalmente”, atropelada pela velocidade do dia a dia, pelas urgências do que era para ontem e pelos imprevistos de toda ordem que acontecem (e continuarão acontecendo) em nossas vidas.

São nessas horas, quando repetimos o mantra anual “como passou rápido”, que nos lembramos, se é que lembramos, que gostaríamos de ter feito uma série de coisas este ano, que ficaram para um segundo momento.

Alguns de nós chegam a fazer seja no tablet, smartphone ou no papel, uma relação de coisas que queremos fazer no ano que vem. Ufa! Podemos não estar executando tudo que queríamos, mas, ao menos um esboço do planejamento estamos fazendo.

Contudo, o objetivo desse artigo não é tratar dos planos pessoais não executados, e sim, dos planos para a sua empresa que não foram sequer esboçados, e quando foram, ficaram longe de ser alcançados.

A reflexão que trago é que, algumas vezes a dificuldade de se alcançar os resultados está no fato de “queimarmos” etapas na real análise de condições do negócio. A maioria dos empresários tem, ou deveria ter, uma visão global do seu negócio, estando sempre atento às nuances mais estratégias e mais de médio e longo prazo.

Entretanto, apesar desta ser uma importante característica, não pode representar o afastamento do empresário às questões que impactam o dia a dia e a operação da empresa. Assim, para fazermos este paralelo, vamos imaginar que resolver estas questões que impactam o dia a dia sejam os “desejos” da empresa.

Quais de vocês, empresários, já pararam para refletir sobre qual seria a lista de desejos da sua empresa para o ano seguinte, se esta tivesse condições de fazê-lo, independente da sua vontade?

Umas das maneiras eficientes de fazer isso é ouvir os seus funcionários, aliás todo planejamento dever ser inclusivo. Assim, é possível compreender a necessidade do negócio e não do seu proprietário, o que, certamente, possibilita identificar problemas e gargalos que impactam no dia a dia da empresa.

Importante destacar que não estamos desconsiderando e, tampouco, diminuindo a relevância do estabelecimento das metas e objetivos estratégicos, por meio de métodos reconhecidamente eficazes. Apenas estamos propondo um passo anterior, no sentido de refletir se não há na empresa problemas na execução da operação diária que dificulte ou inviabilize o alcance dos resultados mais estratégicos.

Reflexão e planos

Vamos lá, faça o exercício!

Converse com seus funcionários e liste alguns dos desejos que sua empresa teria para 2019? Ah, o desejo tem que ser uma necessidade real da sua empresa!

Sugestão? Inicialmente, fuja um pouco da lógica direta de faturar mais ou reduzir os custos, pois isso deverá ser consequência, e pense nas situações difíceis pelas quais a empresa passou este ano. Para ajudar tente responder a algumas perguntas a seguir:

  1. Houve momentos em que a negociação com fornecedores ficou desfavorável e mesmo assim, você precisou fechar o pedido?
  2. Em algum momento você percebeu que aqueles clientes habituais deixaram de comprar ou reduziram a reincidência de compras?
  3. Existiu momentos em que sua empresa ficou sem caixa para arcar com os compromissos?
  4. Novos concorrentes atrapalharam suas vendas (concorrentes físicos ou digitais)?
  5. Quanto foi gasto com manutenção de equipamentos?
  6. Houve perda de pedidos pela impossibilidade de produção ou ausência de estoques, seja pelo volume ou qualidade demandada? Com qual frequência?
  7. Ao longo do ano você teve que fazer promoção para queimar algum estoque parado na empresa?
  8. Você ou seus funcionários tiveram que dedicar muito tempo a cobrança de inadimplentes?

Reflexões dessa natureza os levarão a identificar os possíveis gargalos que sua empresa enfrentou e que a impediram de ter um desempenho ainda melhor. Assim, você terá uma noção de por onde passam as decisões importantes para sua empresa no próximo ano, no que se refere às necessidades do negócio.

Agora que você identificou os gargalos pelos quais sua empresa passou, procure analisar alternativas para que aquele problema identificado não aconteça mais, como por exemplo:

Para que eu não fique em situação desfavorável na negociação com o fornecedor, e seja obrigado a comprar mesmo assim, preciso ter mais de uma opção de fornecedor para os principais itens da minha empresa”.

Pronto! Uma vez identificadas as alternativas, estas se tornam “desejos” da sua empresa para o próximo ano e você pode colocá-las como objetivos de curto prazo no planejamento das suas ações. Muitas vezes, estes objetivos, de curto/médio prazo, o ajudarão na caminhada para alcançar metas maiores, de longo prazo e mais alinhadas diretamente com o seu desejo enquanto empresário.

Objetivos e metas

Entretanto, para que essa lógica exista, você precisa ter claro quais são os seus objetivos e metas enquanto empresário. O que você quer e em quanto tempo você quer? Uma dica importante ao definir suas metas é avaliar se elas atendem às características SMART:

  • Específica;
  • Mensurável;
  • Alcançável;
  • Relevantes;
  • Definidas no tempo.

Perceba que, seguindo o método acima, apenas determinar as metas conforme abaixo seria insuficiente para um planejamento e monitoramento, consistentes:

  1. Aumentar o faturamento?
  2. Expandir o negócio para outras regiões?
  3. Ser líder no setor em que atua?

Agora que você reconhece quais são os problemas imediatos a serem resolvidos pela sua empresa, identificou a forma de resolvê-los (objetivos e curto prazo) e definiu, claramente, quais são as suas metas para a empresa, coloque tudo isso no papel com uma relação de causa e efeito, de maneira que consiga criar conexões entre os objetivos de curto prazo, melhorias na operação e viabilização do alcance de metas maiores e mais estratégicas.

Superada esta etapa de planejar objetivos de curto, médio e longo prazo, é hora de pensar em como você irá monitorá-los ao longo do tempo. Assim, pense nos indicadores de evolução (ou desempenho) de cada iniciativa do processo e com qual periodicidade você irá medir estes indicadores. Lembre-se, essa etapa e disciplina de acompanhamento é fundamental para um ajuste de rota, caso necessário, em tempo de manter a empresa nos rumos corretos.

Desejos realizados

Por fim, caro empresário, este artigo tratou de uma reflexão inicial sobre o real sentido dos nossos “desejos de fim de ano”. Enquanto estes forem apenas desejos, continuaremos assumindo o risco de dezembro ser o mês do “mantra anual” e o ano seguinte ser apenas mais um período onde seremos “atropelados” pelo dia a dia, algumas vezes, sem sequer conseguir “anotar a placa” do que nos atropelou.

Não permita que isso ocorra! Transforme as necessidades do seu negócio e seus desejos, enquanto empresário, em um planejamento que faça sentido, seja exequível, com resultados mensuráveis e horizonte de execução.

Um abraço e até breve!

 

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*Conteúdo publicado originalmente no Linkedin do Autor